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/ / Clipping: O Rebucetê entrevista: @DistintivoBlue


Foto: Ana Paula Marques.
Por Rafael Flores
Integrantes da Distintivo Blue alertam para uma nova era da produção de música na cidade. Para eles uma organização, antes inédita, já pode ser observada nas bandas de Conquista. Os bluseiros estão em processo de gravação de um novo álbum, focando na maior circulação de seu trabalho. Em uma conversa com O Rebucetê, Camilo Oliveira(guitarra) e Malforea(voz) contam como lidam com a comunicação dentro do projeto, curiosidades sobre a história da banda e outras resenhas.


O Rebucetê: Como está sendo o processo de gravação do novo álbum? E qual o conceito deste novo produto?

Malforea: Vamos lançar um EP daqui a alguns dias, mas esse EP faz parte do nosso primeiro álbum que vai ter 12 faixas. Então a gente fez um plano. Ia demorar muito se a gente resolvesse esperar gravar as 12 faixas. Tem muita gente de fora falando que quer conhecer melhor nossa banda. Realmente 6 faixas não dá pra saber a que a banda se propõe. Na época do EP "Aplicando a lei" a gente ainda tava procurando um estilo, aprendendo a gravar e tal. Então a gente vai gravar 4 faixas no primeiro semestre, depois quatro no início do segundo semestre e mais quatro no final do ano. Então com essas 4 faixas de agora juntando com outras duas que temos gravadas, lançaremos o EP. No segundo semestre, a mesma coisa, pegamos 4 juntamos com mais duas. Aí as quatro seguintes já juntamos com o álbum, que deve sair no começo do ano que vem. Isso se a gente for fazer com recursos próprios, se a gente conseguir ser contemplado com os patrocínios e os editais que nos inscrevemos, lançamos tudo de uma vez.

O Rebucetê: E de onde vem esse material extra?

Malforea: A gente tem muito material de gravação de ensaio, de gravação de show e tal, que se juntar tudo dá pra lançar futuramente num cd. Tipo esses cds de raridades, de bootleg. O material extra vai sair só nos EP's, no álbum são só as que estamos gravando.

O Rebucetê: Pra vocês há alguma mudança desde o início da banda pra cá?

Camilo: A gravação do primeiro EP serviu pra mostrar pro pessoal que a gente tá aqui, que a gente existe. Tivemos contato com o pessoal do sul, de Porto Alegre, do sudeste, São Paulo, um pessoal de Minas e tal. Saímos na coletânea nacional de blues "Máfia da Mortadela", que inclusive já nos escalaram para a segunda edição. Esse segundo CD da gente vem com uma outra perspectiva que é também mostrar que a gente existe, mas também dizer que a gente tá fazendo um som e que tá valendo a pena, entendeu? A gente já percebe assim a mudança nas primeiras três músicas que a gente tá gravando, e é uma mudança drástica. Até pela mundança de filosofia e tudo.

Malforea: Tem um lance interesante que é o seguinte, a banda surgiu comigo, Camilo e Rômulo, que éramos integrantes da The New Old Jam, que era uma banda de rock setentista da época do Agosto de Rock, desses festivais que rolaram. Então a gente fez o projeto da DB em 2009. Mas acabou que cada um foi prum lado e sobrou só eu com o projeto na mão. Camilo chegou a fazer o primeiro show, o Romulo saiu antes. Pela banda já passaram mais de dez pessoas diferentes, como Fernando (ex-Barcos) e Dieguinho da Ladrões de Vinil. Muita gente diferente tocou na banda. E agora a gente voltou a ter os integrantes originais, que são Camilo, Rômulo e eu. E aí a gente colocou o baixista Rodrigo também, que é irmão do cara que deu o nome à banda. Então depois de um tempo voltamos pro projeto inicial neste álbum. Na gravação de "Luar do Pontal" do primeiro EP só tem eu da formação original. "De Cara no Blues" e "Blues do Covarde" já tinha Rõmulo, mas não tinha Camilo. Em "Você roubou meu pendrive" Camilo toca, mas ele tinha acabado de voltar, então ainda tava meio estranho. Agora não, a gente já fez vários show, já voltamos a ter entrosamento, voltamos ao projeto inicial.

Foto: Ana Paula Marques.


OR: E qual é o projeto da Distintivo Blue?

Malforea: Assim, tem muitas bandas de blues no Brasil. Só que na maioria você vê gaitistas ou guitarristas excepcionais que resolvem montar um banda, mas não são vocalistas, fica aquela coisa esquisita, cê ouve todo mundo tocando bem pra caramba mas tem alguma coisa estranha, porque a voz e as letras ficam em segundo plano. A gente não, não é um guitarrista que gosta de blues pra caramba e resolveu cantar. Minha formação é de vocalista, a formação de Camilo é de guitarrista. Cada um tá fazendo sua especialidade mesmo. E aí a gente faz as letras em português, fugindo daquela temática dor de cotovelo do Blues tradicional. A gente pões umas letras mais rock n' roll, tipo falar de crítica social.

Foto: Ana Paula Marques.
OR: Com uma dose de humor também, né?

Malforea: Claro, "Você Roubou o Meu Pendrive" é uma letra completamente à tôa, escrachada. Você vê, a maioria das bandas de Blues hoje se limitam a falar de cachaçada. Tanta coisa pra falar e você vai ficar se limitando ao amor perdido e à bebida, que já são um lugar-comum do blues? Se você traduzir as letras dos blues em inglês é só isso. Admiro muito Buddy Guy, Muddy Waters e etc, mas eu prefiro nem prestar muita atenção nas letras.

Camilo: Acontece o seguinte: os caras faziam essas músicas falando de álcool, de mulher, de decepções amorosas pois eram o contexto que eles vivenciavam, o ambiente que eles viviam. Então, o pessoal tenta seguir essa linha aqui no Brasil, mas acaba, em boa parte dos casos, não sendo verdadeiro, é só uma questão de imitar os caras de lá. O Muddy Waters, por exemplo, nasceu num campo de algodão, sofreu toda essa questão do negro nos Estados Unidos. Já o Eric Clapton nasceu na Inglaterra, já era da geração do início do Led Zeppelin, então até ele já cantava uma coisa da qual já não fazia parte, quando tocava o blues.

Malforea: E a gente aqui, véi? Chegar e pegar a reprodução de uma reprodução, com 40, 50 anos de distância desse contexto não dá. Não dá pra fazer uma banda que fale só sobre isso. Falamos sobre coisas que tem a ver com nossa realidade.

OR: Mas peraí, vocês tão gravando com a Cama de Jornal, vai sair álcool disso aí, não vai não?

Camilo Oliveira e Nem (Cama de Jornal) /Foto: Arquivo da Distintivo Blue.
Malforea: É, aí a gente se contradiz (risos), mas nem tanto. Pode até rolar algumas letras assim, mas não são o carro-chefe. Não é aquele lance "ah, que tristeza, que dureza". A gente pegou uma música deles, que é bem humorada, chama "O Álcool Me Persegue". Colocamos metais, piano e bla bla blá. Daqui uns dias vocês vão ver aí o resultado. É um lance meio "bêbado, mas sóbrio', ficou massa pra caramba.

OR: Puxando esse gancho da Cama de Jornal, que é antiga na cena rocker local, o que vocês tão achando da cena atual, de 2010 pra cá?

Camilo: Conquista tá passando por uma fase nova, isso é unanimidade entre o pessoal que toca e tal. Tamos percebendo um acréscimo nessa cena. As bandas da cidade se preocupam muito mais com a questão da música própria. No início dos anos 2000 tinha muito banda cover, do Black Sabbath, do ACDC e etc. Era a época do Point do Rock e do Agosto do Rock. Hoje você vê os meninos da Ladrões de Vinil gravando o segundo CD(na verdade o primeiro oficial), tem a Garboso gravando também. Chegou uma hora que veio a necessidade das bandas produzirem e mandarem pra fora. E essa maturidade também vem da parte do público. Antes existia até uma negação por parte do público em relação às músicas autorais. O pessoal tá fazendo música nova e o público tá gostando e consumindo essas músicas. Então pra estabelecer o que você quer, esse lance da carreira, da produção e da circulação, a música autoral é fundamental. Hoje, só 10% do nosso repertório não é nosso, é o que chamamos de standarts, que são as referências aos grandes mestres do Blues, como BB King, Eric Clapton, Robert Johnson, etc. E acho que é esse o novo pensamento da cidade.

Malforea: Esses dias eu peguei a camisa do Agosto do Rock, que tem o Raul Seixas e até me senti meio velho, tava pequena, risos. Naquela época só existia a Renegados e a Cinco contra Um com música própria. Isso era uma coisa surreal, não era qualquer um que conseguia. Ninguém aguenta ficar fazendo cover a vida toda, ficar tocando música dos outros e vivendo de passado. Diga uma banda aí que só faz cover em Conquista?

OR: Não consigo lembrar de nenhuma.

Malforea: Tá vendo, eu também não sei. Em 2003 tinha umas cinquenta bandas que faziam isso, o que prova que o momento é outro. As bandas estão mais focadas na profissionalização. A internet também ajudou muito. Se eu não tenho grana pra pagar um produtor vou lá na internet, pesquiso e viro o produtor da minha banda.

OR: Vocês, inclusive, tem uma base muito boa de comunicação. Tem o site, que é bem organizado, e os fanzines. Como é que é produzido isso, como vocês pensam a comunicação dentro da banda?

Malforea: No começo da banda, quando era só a gente, começamos a perguntar onde iríamos achar o restante dos integrantes. A resposta veio da internet. Eu nunca tive blog, aprendi com a DB. E nosso site é hospedado no Blogger, pouca gente percebe. Não sacava nada de HTML, mas fui aprendendendo de acordo com a necessidade. Fomos aproveitando o que tinha a frente, aproveitamos o Orkut pra caramba na época. Se você ver lá no site, tem o link pra todas as redes sociais que temos, o , Formspring, Soundcloud, Facebook Twitter, Palco MP3, etc. O objetivo era botar a banda pra frente, então se ficasse no pensamento ninguem ia saber que a gente existe.

OR: E a ideia do zine?

Foto: Arquivo da Distintivo Blue.
Malforea: Eu tenho a necessidade de escrever coisas e pá. Tem coisa que eu vou lendo e descobrindo que quero compartilhar com a galera. Eu já conhecia as fanzines por conta do meu contato com os mangás, descobri com as paródias que rolam dos animes e mangás. Aí depois que descobri que era uma coisa derivada do movimento punk -rock dos anos oitenta me encantei. Fui pesquisar como fazer esse zine, descori um vídeo na internet de um americano ensinando a dobrar o papel A4 e fazer um mini-zine. Percebi que tinha tudo a ver com o EP da gente, que é pequeno e cabe no bolso. A gente tem muita resenha e muito conhecimento de música pra compartilhar, aí fizemos. Temos muita coisa pra falar e temos que procurar formas de falar, além da nossa música, é claro.

Camilo: E pouca gente sabe, mas Malforea foi roteirista do Maurício de Sousa. Então esse contato com a revista e com o desenho ele já tinha. Nessa última zine ele fez até uma "HQzinha".

Foto: Arquivo da Distintivo Blue


OR: E pra completar: Que porra de lei é essa que vocês andam aplicando?

Camilo: São várias.

Malforea: Sabe aquela música do Lenine, "Do It" ? "aplique a lei" é o mesmo que "do it".

Camilo:
Uma mistura de "Do It" com " I've Got the Power". Simplesmente isso.


Fonte: O Rebucetê


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O Rebucetê: Como está sendo o processo de gravação do novo álbum? E qual o conceito deste novo produto?

Malforea: Vamos lançar um EP daqui a alguns dias, mas esse EP faz parte do nosso primeiro álbum que vai ter 12 faixas. Então a gente fez um plano. Ia demorar muito se a gente resolvesse esperar gravar as 12 faixas. Tem muita gente de fora falando que quer conhecer melhor nossa banda. Realmente 6 faixas não dá pra saber a que a banda se propõe. Na época do EP "Aplicando a lei" a gente ainda tava procurando um estilo, aprendendo a gravar e tal. Então a gente vai gravar 4 faixas no primeiro semestre, depois quatro no início do segundo semestre e mais quatro no final do ano. Então com essas 4 faixas de agora juntando com outras duas que temos gravadas, lançaremos o EP. No segundo semestre, a mesma coisa, pegamos 4 juntamos com mais duas. Aí as quatro seguintes já juntamos com o álbum, que deve sair no começo do ano que vem. Isso se a gente for fazer com recursos próprios, se a gente conseguir ser contemplado com os patrocínios e os editais que nos inscrevemos, lançamos tudo de uma vez.

O Rebucetê: E de onde vem esse material extra?

Malforea: A gente tem muito material de gravação de ensaio, de gravação de show e tal, que se juntar tudo dá pra lançar futuramente num cd. Tipo esses cds de raridades, de bootleg. O material extra vai sair só nos EP's, no álbum são só as que estamos gravando.

O Rebucetê: Pra vocês há alguma mudança desde o início da banda pra cá?

Camilo: A gravação do primeiro EP serviu pra mostrar pro pessoal que a gente tá aqui, que a gente existe. Tivemos contato com o pessoal do sul, de Porto Alegre, do sudeste, São Paulo, um pessoal de Minas e tal. Saímos na coletânea nacional de blues "Máfia da Mortadela", que inclusive já nos escalaram para a segunda edição. Esse segundo CD da gente vem com uma outra perspectiva que é também mostrar que a gente existe, mas também dizer que a gente tá fazendo um som e que tá valendo a pena, entendeu? A gente já percebe assim a mudança nas primeiras três músicas que a gente tá gravando, e é uma mudança drástica. Até pela mundança de filosofia e tudo.

Malforea: Tem um lance interesante que é o seguinte, a banda surgiu comigo, Camilo e Rômulo, que éramos integrantes da The New Old Jam, que era uma banda de rock setentista da época do Agosto de Rock, desses festivais que rolaram. Então a gente fez o projeto da DB em 2009. Mas acabou que cada um foi prum lado e sobrou só eu com o projeto na mão. Camilo chegou a fazer o primeiro show, o Romulo saiu antes. Pela banda já passaram mais de dez pessoas diferentes, como Fernando (ex-Barcos) e Dieguinho da Ladrões de Vinil. Muita gente diferente tocou na banda. E agora a gente voltou a ter os integrantes originais, que são Camilo, Rômulo e eu. E aí a gente colocou o baixista Rodrigo também, que é irmão do cara que deu o nome à banda. Então depois de um tempo voltamos pro projeto inicial neste álbum. Na gravação de "Luar do Pontal" do primeiro EP só tem eu da formação original. "De Cara no Blues" e "Blues do Covarde" já tinha Rõmulo, mas não tinha Camilo. Em "Você roubou meu pendrive" Camilo toca, mas ele tinha acabado de voltar, então ainda tava meio estranho. Agora não, a gente já fez vários show, já voltamos a ter entrosamento, voltamos ao projeto inicial.

Foto: Ana Paula Marques.


OR: E qual é o projeto da Distintivo Blue?

Malforea: Assim, tem muitas bandas de blues no Brasil. Só que na maioria você vê gaitistas ou guitarristas excepcionais que resolvem montar um banda, mas não são vocalistas, fica aquela coisa esquisita, cê ouve todo mundo tocando bem pra caramba mas tem alguma coisa estranha, porque a voz e as letras ficam em segundo plano. A gente não, não é um guitarrista que gosta de blues pra caramba e resolveu cantar. Minha formação é de vocalista, a formação de Camilo é de guitarrista. Cada um tá fazendo sua especialidade mesmo. E aí a gente faz as letras em português, fugindo daquela temática dor de cotovelo do Blues tradicional. A gente pões umas letras mais rock n' roll, tipo falar de crítica social.

Foto: Ana Paula Marques.
OR: Com uma dose de humor também, né?

Malforea: Claro, "Você Roubou o Meu Pendrive" é uma letra completamente à tôa, escrachada. Você vê, a maioria das bandas de Blues hoje se limitam a falar de cachaçada. Tanta coisa pra falar e você vai ficar se limitando ao amor perdido e à bebida, que já são um lugar-comum do blues? Se você traduzir as letras dos blues em inglês é só isso. Admiro muito Buddy Guy, Muddy Waters e etc, mas eu prefiro nem prestar muita atenção nas letras.

Camilo: Acontece o seguinte: os caras faziam essas músicas falando de álcool, de mulher, de decepções amorosas pois eram o contexto que eles vivenciavam, o ambiente que eles viviam. Então, o pessoal tenta seguir essa linha aqui no Brasil, mas acaba, em boa parte dos casos, não sendo verdadeiro, é só uma questão de imitar os caras de lá. O Muddy Waters, por exemplo, nasceu num campo de algodão, sofreu toda essa questão do negro nos Estados Unidos. Já o Eric Clapton nasceu na Inglaterra, já era da geração do início do Led Zeppelin, então até ele já cantava uma coisa da qual já não fazia parte, quando tocava o blues.

Malforea: E a gente aqui, véi? Chegar e pegar a reprodução de uma reprodução, com 40, 50 anos de distância desse contexto não dá. Não dá pra fazer uma banda que fale só sobre isso. Falamos sobre coisas que tem a ver com nossa realidade.

OR: Mas peraí, vocês tão gravando com a Cama de Jornal, vai sair álcool disso aí, não vai não?

Camilo Oliveira e Nem (Cama de Jornal) /Foto: Arquivo da Distintivo Blue.
Malforea: É, aí a gente se contradiz (risos), mas nem tanto. Pode até rolar algumas letras assim, mas não são o carro-chefe. Não é aquele lance "ah, que tristeza, que dureza". A gente pegou uma música deles, que é bem humorada, chama "O Álcool Me Persegue". Colocamos metais, piano e bla bla blá. Daqui uns dias vocês vão ver aí o resultado. É um lance meio "bêbado, mas sóbrio', ficou massa pra caramba.

OR: Puxando esse gancho da Cama de Jornal, que é antiga na cena rocker local, o que vocês tão achando da cena atual, de 2010 pra cá?

Camilo: Conquista tá passando por uma fase nova, isso é unanimidade entre o pessoal que toca e tal. Tamos percebendo um acréscimo nessa cena. As bandas da cidade se preocupam muito mais com a questão da música própria. No início dos anos 2000 tinha muito banda cover, do Black Sabbath, do ACDC e etc. Era a época do Point do Rock e do Agosto do Rock. Hoje você vê os meninos da Ladrões de Vinil gravando o segundo CD(na verdade o primeiro oficial), tem a Garboso gravando também. Chegou uma hora que veio a necessidade das bandas produzirem e mandarem pra fora. E essa maturidade também vem da parte do público. Antes existia até uma negação por parte do público em relação às músicas autorais. O pessoal tá fazendo música nova e o público tá gostando e consumindo essas músicas. Então pra estabelecer o que você quer, esse lance da carreira, da produção e da circulação, a música autoral é fundamental. Hoje, só 10% do nosso repertório não é nosso, é o que chamamos de standarts, que são as referências aos grandes mestres do Blues, como BB King, Eric Clapton, Robert Johnson, etc. E acho que é esse o novo pensamento da cidade.

Malforea: Esses dias eu peguei a camisa do Agosto do Rock, que tem o Raul Seixas e até me senti meio velho, tava pequena, risos. Naquela época só existia a Renegados e a Cinco contra Um com música própria. Isso era uma coisa surreal, não era qualquer um que conseguia. Ninguém aguenta ficar fazendo cover a vida toda, ficar tocando música dos outros e vivendo de passado. Diga uma banda aí que só faz cover em Conquista?

OR: Não consigo lembrar de nenhuma.

Malforea: Tá vendo, eu também não sei. Em 2003 tinha umas cinquenta bandas que faziam isso, o que prova que o momento é outro. As bandas estão mais focadas na profissionalização. A internet também ajudou muito. Se eu não tenho grana pra pagar um produtor vou lá na internet, pesquiso e viro o produtor da minha banda.

OR: Vocês, inclusive, tem uma base muito boa de comunicação. Tem o site, que é bem organizado, e os fanzines. Como é que é produzido isso, como vocês pensam a comunicação dentro da banda?

Malforea: No começo da banda, quando era só a gente, começamos a perguntar onde iríamos achar o restante dos integrantes. A resposta veio da internet. Eu nunca tive blog, aprendi com a DB. E nosso site é hospedado no Blogger, pouca gente percebe. Não sacava nada de HTML, mas fui aprendendendo de acordo com a necessidade. Fomos aproveitando o que tinha a frente, aproveitamos o Orkut pra caramba na época. Se você ver lá no site, tem o link pra todas as redes sociais que temos, o , Formspring, Soundcloud, Facebook Twitter, Palco MP3, etc. O objetivo era botar a banda pra frente, então se ficasse no pensamento ninguem ia saber que a gente existe.

OR: E a ideia do zine?

Foto: Arquivo da Distintivo Blue.
Malforea: Eu tenho a necessidade de escrever coisas e pá. Tem coisa que eu vou lendo e descobrindo que quero compartilhar com a galera. Eu já conhecia as fanzines por conta do meu contato com os mangás, descobri com as paródias que rolam dos animes e mangás. Aí depois que descobri que era uma coisa derivada do movimento punk -rock dos anos oitenta me encantei. Fui pesquisar como fazer esse zine, descori um vídeo na internet de um americano ensinando a dobrar o papel A4 e fazer um mini-zine. Percebi que tinha tudo a ver com o EP da gente, que é pequeno e cabe no bolso. A gente tem muita resenha e muito conhecimento de música pra compartilhar, aí fizemos. Temos muita coisa pra falar e temos que procurar formas de falar, além da nossa música, é claro.

Camilo: E pouca gente sabe, mas Malforea foi roteirista do Maurício de Sousa. Então esse contato com a revista e com o desenho ele já tinha. Nessa última zine ele fez até uma "HQzinha".

Foto: Arquivo da Distintivo Blue


OR: E pra completar: Que porra de lei é essa que vocês andam aplicando?

Camilo: São várias.

Malforea: Sabe aquela música do Lenine, "Do It" ? "aplique a lei" é o mesmo que "do it".

Camilo:
Uma mistura de "Do It" com " I've Got the Power". Simplesmente isso.


Fonte: O Rebucetê


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