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/ / As "arritmias funcionais" de Steve Coleman

Saxofonista lança novo CD com o seu grupo Five Elements
Saxofonista lança novo CD com o seu grupo Five Elements


Luiz Orlando Carneiro

O mais recente álbum assinado por Steve Coleman - saxofonista alto, compositor (ou inventor musical), líder da M-Base – chama-se Functional arrhythmias (Pi Recordings). Os títulos de suas 14 faixas, inspiradas nos “ritmos (ou arritmias) dos sistemas biológicos humanos”, são tão esquisitos para jazz tunes como Medulla-vagus (6m30), Cerebellum lean (3m55) ou Lymph swag/Dance of the leukocytes(3m50).

Como sabem os jazzófilos mais antenados, o saxofonista nascido em Chicago, há 56 anos, formado num ambiente vanguardista que teve como ícones a Art Ensemble of Chicago e Von Freeman, foi o idealizador da M-Base, à frente do seu quinteto Five Elements. Como pouca gente sabe, o M-Base não é propriamente um estilo de jazz contemporâneo, mas um acrônimo de “Macro-Basic Array of Structured Extemporizations”. Ou seja, algo como “ordenação macro-básica de extemporaneidades (ou improvisações) estruturadas”.

Mas todo esse conceitualismo acaba por ser mais um obstáculo do que uma porta aberta para quem é convidado a simplesmente apreciar a música preconcebida ou criada no momento (no estúdio ou no palco) por um dos mais técnicos e intensos saxofonistas da cena jazzística, desde que apareceu como young lion em meados da década de 1980. E, afinal de contas, ninguém precisa estudar, por exemplo, o processo criativo “harmolódico” de Ornette Coleman para fruir (ou repelir) a música de um dos maiores gênios do jazz moderno.

Na apresentação do CD Functional arrhythmias, gravado no ano passado, e lançado há dois meses, lê-se: “Coleman (Steve) emprega um processo inusitado de criação destas composições.

Usualmente, ele começa improvisando sozinho no saxofone, enquanto visualiza alguns dos princípios físicos (energia, vibração, movimento, efeito) de funções biológicas. Tais sketches espontâneos são então transcritos, e outras seções improvisadas acrescentadas, até que se forma a composição final. As camadas resultantes de contraponto melódico e rítmico exibem todas as marcas registradas do que há de melhor na obra do saxofonista”.

A trama contrapontística é tecida pelo líder e seus associados: o trompetista fora de série Jonathan Finlayson, 30 anos, que foi “adotado” por Steve Coleman quando tinha só 18 anos; os antigos colaboradores Anthony Tidd (baixo elétrico) e Sean Rickman (bateria), que retornam ao Five Elements depois de 15 anos; o guitarrista Miles Okazaki, que atua em cinco faixas (Medulavagus,Cardiovascular, Irregular heartbeats, Lymph swag e Adrenal, got ghost)

A primeira e mais longa peça do CD, Sinews (6m50), dá o tom da maioria das faixas: uníssonos “ornetteanos” dos dois sopros, que logo se transformam em diálogos sempre inteligentes e cordiais, às vezes levemente politonais, movidos pela bateria crepitante, latejante, de Rickman e pelas sístoles e diástoles do baixo de Tidd. A guitarra de Okazaki intensifica ainda mais o substrato funky do quinteto em Cardiovascular (2m30) e Adrenal (3m05). Há momentos de repouso, como em Respiratory flow (3m50), e melodicamente muito envolventes, como em Limbic cry (5m35).

Martin Longley (BBC Review) assim qualificou a mais recente obra de Steve Coleman/Five Elements: “Este é o mais excitante e substancial lançamento de Coleman dos últimos anos, rigorosamente provocante, pleno de melodias insinuantes e de energias impulsivas, e movimentado por uma funkiness globular única”.

De acordo.


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Luiz Orlando Carneiro

O mais recente álbum assinado por Steve Coleman - saxofonista alto, compositor (ou inventor musical), líder da M-Base – chama-se Functional arrhythmias (Pi Recordings). Os títulos de suas 14 faixas, inspiradas nos “ritmos (ou arritmias) dos sistemas biológicos humanos”, são tão esquisitos para jazz tunes como Medulla-vagus (6m30), Cerebellum lean (3m55) ou Lymph swag/Dance of the leukocytes(3m50).

Como sabem os jazzófilos mais antenados, o saxofonista nascido em Chicago, há 56 anos, formado num ambiente vanguardista que teve como ícones a Art Ensemble of Chicago e Von Freeman, foi o idealizador da M-Base, à frente do seu quinteto Five Elements. Como pouca gente sabe, o M-Base não é propriamente um estilo de jazz contemporâneo, mas um acrônimo de “Macro-Basic Array of Structured Extemporizations”. Ou seja, algo como “ordenação macro-básica de extemporaneidades (ou improvisações) estruturadas”.

Mas todo esse conceitualismo acaba por ser mais um obstáculo do que uma porta aberta para quem é convidado a simplesmente apreciar a música preconcebida ou criada no momento (no estúdio ou no palco) por um dos mais técnicos e intensos saxofonistas da cena jazzística, desde que apareceu como young lion em meados da década de 1980. E, afinal de contas, ninguém precisa estudar, por exemplo, o processo criativo “harmolódico” de Ornette Coleman para fruir (ou repelir) a música de um dos maiores gênios do jazz moderno.

Na apresentação do CD Functional arrhythmias, gravado no ano passado, e lançado há dois meses, lê-se: “Coleman (Steve) emprega um processo inusitado de criação destas composições.

Usualmente, ele começa improvisando sozinho no saxofone, enquanto visualiza alguns dos princípios físicos (energia, vibração, movimento, efeito) de funções biológicas. Tais sketches espontâneos são então transcritos, e outras seções improvisadas acrescentadas, até que se forma a composição final. As camadas resultantes de contraponto melódico e rítmico exibem todas as marcas registradas do que há de melhor na obra do saxofonista”.

A trama contrapontística é tecida pelo líder e seus associados: o trompetista fora de série Jonathan Finlayson, 30 anos, que foi “adotado” por Steve Coleman quando tinha só 18 anos; os antigos colaboradores Anthony Tidd (baixo elétrico) e Sean Rickman (bateria), que retornam ao Five Elements depois de 15 anos; o guitarrista Miles Okazaki, que atua em cinco faixas (Medulavagus,Cardiovascular, Irregular heartbeats, Lymph swag e Adrenal, got ghost)

A primeira e mais longa peça do CD, Sinews (6m50), dá o tom da maioria das faixas: uníssonos “ornetteanos” dos dois sopros, que logo se transformam em diálogos sempre inteligentes e cordiais, às vezes levemente politonais, movidos pela bateria crepitante, latejante, de Rickman e pelas sístoles e diástoles do baixo de Tidd. A guitarra de Okazaki intensifica ainda mais o substrato funky do quinteto em Cardiovascular (2m30) e Adrenal (3m05). Há momentos de repouso, como em Respiratory flow (3m50), e melodicamente muito envolventes, como em Limbic cry (5m35).

Martin Longley (BBC Review) assim qualificou a mais recente obra de Steve Coleman/Five Elements: “Este é o mais excitante e substancial lançamento de Coleman dos últimos anos, rigorosamente provocante, pleno de melodias insinuantes e de energias impulsivas, e movimentado por uma funkiness globular única”.

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