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Eventos de blues crescem e conquistam fãs em Santa Catarina Festa do Pinhão/Divulgação
Pinhão Blues Festival conquistou a festa popular de LagesFoto: Festa do Pinhão / Divulgação
Em menos de um mês, dois eventos de música em Santa Catarina chamaram a atenção por terem em comum o blues. Contrariando a onda dos festivais sertanejos e a gama de opções eletrônicas, a Chicago Connection e o Pinhão Blues Festival chegaram de mansinho ocupando um espaço que, aparentemente, nunca pertenceu ao Estado. A oferta do gênero foi lançada quase que de forma experimental e surpreendeu a ponto de embalar os organizadores em novas edições.


O empresário e músico André Hahn conta que não faltou quem o tachasse de louco quando, animado pela descoberta da voz de Linsey Alexander, em uma viagem a Chicago, resolveu trazê-lo para uma apresentação em Florianópolis no ano passado. As frases "Blues em Santa Catarina? Aqui não tem público para isso!" não desanimaram Flávio. A primeira apresentação do blues man americano no Teatro Ademir Rosa, do CIC, e no Brasil, não decepcionou, teve espaço disputado.

– Foi uma aposta contra a "maré" do mercado, e a resposta foi positiva. Descobrimos que o Estado tinha, sim, um público de blues – diz o idealizador do Chicago Connection.

Empolgado por seu gosto pessoal ter tido aval do público, André repetiu a dose no mês passado. Mais um nome que nunca havia pisado em um palco brasileiro desembarcou na Capital: Melvia Chick Rodgers, voz comparada à de Aretha Fraklin. Para o ano que vem, o projeto deve ser ampliado. Com uma equipe maior, André quer estender a atuação dos artistas do blues por Joinville, Blumenau e Criciúma.

Até em festa popular
Lages também começou a levantar a bandeira do blues em 2013, de carona na atração importada por Hahn, só que de forma ainda mais inusitada. A Secretaria de Turismo da cidade resolveu aproveitar a passagem de Linsey Alexander para criar o Pinhão Blues Festival, dentro da programação da popular Festa do Pinhão. Já na primeira edição, o blues reuniu 10 mil pessoas em praça pública. Assim, nasceu a frase "Lages na rota internacional do blues", que vem sendo entoada por músicos e admiradores do gênero.

– Foi uma experiência que deu certo. Tanto que incluímos o gênero nas comemorações do aniversário da cidade no ano passado – afirma o secretário de Turismo, Flávio Agostini.

Na semana passada, Bex Marshall, Doni Nichilo, Gonzalo Araya, Red River, Marzio Lenzi e Jam Blues Trio passaram pelo palco do Pinhão Blues, na segunda edição do evento.

– A intenção é ter um festival de blues por ano – promete Agostini.

Paixão que vem do improviso


No início, as pessoas torciam o nariz. Foi de bar em bar, noite após noite, que a banda itajaiense Headcutters (foto acima) começou a conquistar os primeiros fãs de blues de Santa Catarina. Com 14 anos de estrada, um DVD e dois discos lançados, o quarteto formado por Joe Marhofer (gaita e vocal), Ricardo Maca (guitarra e vocal), Arthur Garcia (contrabaixo) e Leandro Barbeta (bateria) se considera pioneiro na disseminação do estilo no Estado. Fazendo cerca de oito shows por mês de Norte a Sul no Brasil, a Headcutters já se apresentou ao lado de nomes como Big Bill Morganfield (filho do músico Muddy Waters), Phil Guy (irmão de Buddy Guy) e J. J. Jackson. Depois de quase uma década e meia de carreira, a banda se prepara para a primeira turnê pelos Estados Unidos. 

– Acho que o blues está ganhando cada vez mais espaço por aqui. Quando a gente começou, não tinha quase nada, fomos "vendendo" nossa música para os bares e hoje vemos que eles é que vêm até nós – comemora Marhofer.

A união musical começou ainda na adolescência, quando os integrantes – que são amigos de infância – começaram a tocar rock’n’roll. Mais tarde, depois da descoberta da gaita, mudaram para o blues. Nunca mais largaram. O gaitista da Headcutters conta que foi no tom poderoso da guitarra elétrica combinada à emoção visceral da harmônica que a banda se encontrou:

– Angariamos discípulos do blues e ficamos muito felizes por termos encorajado o pessoal a tocar nos bares. Acho que a galera começou a enxergar o blues como uma forma de entretenimento real.

Guitarrista da também blueseira Capone Brothers, de Blumenau, o músico Emerson Mainhardt concorda e reforça: é o improviso que dá charme ao blues.

– O blues tem essa característica que possibilita tocar com diversos músicos e fazer um show de qualidade mesmo não sendo a formação tradicional da banda. Particularmente, são os momentos em que mais tenho prazer de tocar – comenta.

Prova da força do improviso é o Summer Blues Festival, evento que pelo quarto ano consecutivo vai reunir bateristas e guitarristas de todo o Brasil, sempre de quarta-feira a domingo, para uma verdadeira jam session em bares do litoral catarinense. A música começa no dia 16 de dezembro e se estende até 8 de março de 2015. 

– O blues tem uma diferença dos outros gêneros musicais por causa da linguagem e do sentimento que traz às pessoas. Vivo disso há mais de 20 anos e posso dizer: quem faz blues há muito tempo toca com qualquer pessoa. É um som universal – diz Mustache Maia, idealizador do projeto.

Pelas ondas do rádioO canal que liga os joinvilenses ao blues continua sendo pelo velho e bom rádio. Todos os sábados, o programa Isto Chamam Blues se encarrega de encher os ouvidos dos fãs do gênero desde que a Rádio Joinville Cultural (105,1 FM) começou as transmissões, em 2012.

– Hoje o programa é campeão de participação dos ouvintes pelas redes sociais - comemora Germano Busch.

O apresentador se orgulha de não ter repetido um programa sequer desde a estreia. Até mesmo o repertório dificilmente tem uma canção já tocada em outras edições, de tão diversificado é o repertório que o joinvilense tem à mão.

– Vamos desde os primórdios do blues até as produções contemporâneas, passando pelos gêneros que foram influenciados por ele – explica o apresentador.

Germano, que é voluntário da rádio educativa pública, chegou a tocar na Kara Dura, banda de apoio a Celso Blues Boy, um dos pioneiros no Brasil a cantar blues em português e que optou viver em Joinville por mais de 15 anos até a sua morte. Por isso, o nome Isto Chamam de Blues, título de uma canção de Celso.

O programa vai ao ar pela 105,1 FM e radio.joinville.sc.gov.br, às 23 horas de sábado. No domingo, a reprise é no mesmo horário.
Fonte: ANotícia


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Eventos de blues crescem e conquistam fãs em Santa Catarina Festa do Pinhão/Divulgação
Pinhão Blues Festival conquistou a festa popular de LagesFoto: Festa do Pinhão / Divulgação
Em menos de um mês, dois eventos de música em Santa Catarina chamaram a atenção por terem em comum o blues. Contrariando a onda dos festivais sertanejos e a gama de opções eletrônicas, a Chicago Connection e o Pinhão Blues Festival chegaram de mansinho ocupando um espaço que, aparentemente, nunca pertenceu ao Estado. A oferta do gênero foi lançada quase que de forma experimental e surpreendeu a ponto de embalar os organizadores em novas edições.


O empresário e músico André Hahn conta que não faltou quem o tachasse de louco quando, animado pela descoberta da voz de Linsey Alexander, em uma viagem a Chicago, resolveu trazê-lo para uma apresentação em Florianópolis no ano passado. As frases "Blues em Santa Catarina? Aqui não tem público para isso!" não desanimaram Flávio. A primeira apresentação do blues man americano no Teatro Ademir Rosa, do CIC, e no Brasil, não decepcionou, teve espaço disputado.

– Foi uma aposta contra a "maré" do mercado, e a resposta foi positiva. Descobrimos que o Estado tinha, sim, um público de blues – diz o idealizador do Chicago Connection.

Empolgado por seu gosto pessoal ter tido aval do público, André repetiu a dose no mês passado. Mais um nome que nunca havia pisado em um palco brasileiro desembarcou na Capital: Melvia Chick Rodgers, voz comparada à de Aretha Fraklin. Para o ano que vem, o projeto deve ser ampliado. Com uma equipe maior, André quer estender a atuação dos artistas do blues por Joinville, Blumenau e Criciúma.

Até em festa popular
Lages também começou a levantar a bandeira do blues em 2013, de carona na atração importada por Hahn, só que de forma ainda mais inusitada. A Secretaria de Turismo da cidade resolveu aproveitar a passagem de Linsey Alexander para criar o Pinhão Blues Festival, dentro da programação da popular Festa do Pinhão. Já na primeira edição, o blues reuniu 10 mil pessoas em praça pública. Assim, nasceu a frase "Lages na rota internacional do blues", que vem sendo entoada por músicos e admiradores do gênero.

– Foi uma experiência que deu certo. Tanto que incluímos o gênero nas comemorações do aniversário da cidade no ano passado – afirma o secretário de Turismo, Flávio Agostini.

Na semana passada, Bex Marshall, Doni Nichilo, Gonzalo Araya, Red River, Marzio Lenzi e Jam Blues Trio passaram pelo palco do Pinhão Blues, na segunda edição do evento.

– A intenção é ter um festival de blues por ano – promete Agostini.

Paixão que vem do improviso


No início, as pessoas torciam o nariz. Foi de bar em bar, noite após noite, que a banda itajaiense Headcutters (foto acima) começou a conquistar os primeiros fãs de blues de Santa Catarina. Com 14 anos de estrada, um DVD e dois discos lançados, o quarteto formado por Joe Marhofer (gaita e vocal), Ricardo Maca (guitarra e vocal), Arthur Garcia (contrabaixo) e Leandro Barbeta (bateria) se considera pioneiro na disseminação do estilo no Estado. Fazendo cerca de oito shows por mês de Norte a Sul no Brasil, a Headcutters já se apresentou ao lado de nomes como Big Bill Morganfield (filho do músico Muddy Waters), Phil Guy (irmão de Buddy Guy) e J. J. Jackson. Depois de quase uma década e meia de carreira, a banda se prepara para a primeira turnê pelos Estados Unidos. 

– Acho que o blues está ganhando cada vez mais espaço por aqui. Quando a gente começou, não tinha quase nada, fomos "vendendo" nossa música para os bares e hoje vemos que eles é que vêm até nós – comemora Marhofer.

A união musical começou ainda na adolescência, quando os integrantes – que são amigos de infância – começaram a tocar rock’n’roll. Mais tarde, depois da descoberta da gaita, mudaram para o blues. Nunca mais largaram. O gaitista da Headcutters conta que foi no tom poderoso da guitarra elétrica combinada à emoção visceral da harmônica que a banda se encontrou:

– Angariamos discípulos do blues e ficamos muito felizes por termos encorajado o pessoal a tocar nos bares. Acho que a galera começou a enxergar o blues como uma forma de entretenimento real.

Guitarrista da também blueseira Capone Brothers, de Blumenau, o músico Emerson Mainhardt concorda e reforça: é o improviso que dá charme ao blues.

– O blues tem essa característica que possibilita tocar com diversos músicos e fazer um show de qualidade mesmo não sendo a formação tradicional da banda. Particularmente, são os momentos em que mais tenho prazer de tocar – comenta.

Prova da força do improviso é o Summer Blues Festival, evento que pelo quarto ano consecutivo vai reunir bateristas e guitarristas de todo o Brasil, sempre de quarta-feira a domingo, para uma verdadeira jam session em bares do litoral catarinense. A música começa no dia 16 de dezembro e se estende até 8 de março de 2015. 

– O blues tem uma diferença dos outros gêneros musicais por causa da linguagem e do sentimento que traz às pessoas. Vivo disso há mais de 20 anos e posso dizer: quem faz blues há muito tempo toca com qualquer pessoa. É um som universal – diz Mustache Maia, idealizador do projeto.

Pelas ondas do rádioO canal que liga os joinvilenses ao blues continua sendo pelo velho e bom rádio. Todos os sábados, o programa Isto Chamam Blues se encarrega de encher os ouvidos dos fãs do gênero desde que a Rádio Joinville Cultural (105,1 FM) começou as transmissões, em 2012.

– Hoje o programa é campeão de participação dos ouvintes pelas redes sociais - comemora Germano Busch.

O apresentador se orgulha de não ter repetido um programa sequer desde a estreia. Até mesmo o repertório dificilmente tem uma canção já tocada em outras edições, de tão diversificado é o repertório que o joinvilense tem à mão.

– Vamos desde os primórdios do blues até as produções contemporâneas, passando pelos gêneros que foram influenciados por ele – explica o apresentador.

Germano, que é voluntário da rádio educativa pública, chegou a tocar na Kara Dura, banda de apoio a Celso Blues Boy, um dos pioneiros no Brasil a cantar blues em português e que optou viver em Joinville por mais de 15 anos até a sua morte. Por isso, o nome Isto Chamam de Blues, título de uma canção de Celso.

O programa vai ao ar pela 105,1 FM e radio.joinville.sc.gov.br, às 23 horas de sábado. No domingo, a reprise é no mesmo horário.
Fonte: ANotícia

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