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/ / / / Desafio: + de 60 documentários sobre música brasileira #01 - Brasil Brasil: Ep. 01


Começou o desafio. Leia, fale e compartilhe
Por I. Malforea
Começamos nosso desafio com este ótimo documentário produzido pela BBC para o canal BBC 4 em 2007. Aqui falaremos apenas da primeira parte, chamado Do Samba à Bossa, sendo que há, ainda, mais duas partes, que a lista do Pedro Consorte não aborda. Bom, não fique triste: ao final do post disponibilizarei as outras duas para você assistir.

Bom, devo dizer que é bem curioso ver um filme estrangeiro tratando da nossa música. A qualidade das produções da BBC é indiscutível, e considero que este foi, de uma maneira geral, uma boa forma de mostrar ao mundo quem realmente nós somos, ao contrário do que nossa querida Globo sempre se esforçou em fazer.

O documentário aborda os primórdios da música popular brasileira, obviamente começando do samba soteropolitano. Aqui temos um pouco de história do Brasil, na época da colônia e Império, quando os negros, ainda escravos, já adaptavam o semba africano ao novo contexto, na América. Música marginalizada, que migrou, junto à Coroa portuguesa, para o Rio de Janeiro, nova capital.

No Rio temos a mudança de música periférica à grande identidade musical brasileira, promovida por Getúlio, na década de 30. É quando surgem os sambas-enredo no carnaval, autorizados apenas a exaltar o Brasil, criar o sentimento patriota. Isso foi de grande importância, sobretudo num período onde nos metemos em guerra e o populismo do estado precisava de engajamento do povo.

Foi quando o samba passou à classe média. O surgimento do samba-canção, com Dorival Caymmi cantando o mar foi peça-chave para o posterior uso do samba como instrumento da Política da Boa-Vizinhança, onde exportamos a caricata portuguesa Carmen Miranda para cristalizar uma imagem que até hoje ainda vem á mente dos estrangeiros, e que não agradou muito por aqui. Houveram trocas de visitas artísticas, incentivadas pelos governos dos EUA e Brasil, inclusive com a vinda do Pato Donald à Bahia, em filme e a estreia do personagem Zé Carioca.

Interessante perceber que ninguém está livre de estereótipos. Os estrangeiros têm vários sobre nós, que foram criados principalmente nesse período, mas mesmo no Brasil temos vários, como se pode ver com os depoimentos de Joyce e Elza Soares, sugerindo que todo brasileiro tem amor a alguma escola de samba, assim como a algum time de futebol. Mal sabem elas que o Brasil não é apenas o Rio de Janeiro, e que a disputa de escolas de samba não possui valor ou sentido algum aqui no nordeste, e que a transmissão do carnaval do Rio madrugada adentro na TV é o êxtase da chatice para muitos, incluindo a mim mesmo. Aliás, nem vou me dar o trabalho de falar sobre a inutilidade do futebol em minha vida. Será que algum dia já fui brasileiro mesmo?

Então, eis que surge, de mansinho, um pernambucano de Exu que se tornaria o rei do nordeste, com seu novo ritmo, o baião, surgido da música folclórica local, e transformado em produto para a Rádio Nacional, emissora de maior penetração no país à época. O Brasil não era apenas samba. Existia sim um outro ritmo, igualmente popular e legítimo, que traduzia fielmente grande parte da população brasileira. Luiz Gonzaga não ganhou Hollywood mas, assim como Carmen, criou uma caricatura que até hoje é forte em pessoas que não conhecem o nordeste. Vide, por exemplo, o mascote das Casas Bahia, com seu chapéu de cangaceiro e dentinho à la Chico Bento.

Surge então, para desbancar o baião como estilo-símbolo do país, a bossa nova: o samba feito pela classe média para a classe média, com forte influência da música erudita, bem como o jazz de Chat Baker. Era o nascimento da revolucionária ideia de que, para cantar, não é preciso ter vozeirão, muito menos a batucada da periferia. A semelhança óbvia com o jazz fez os EUA abraçarem a bossa nova quase que como sua. Até mesmo Elvis tentou algo nesse sentido, gravando sua nada brasileira Bossa Nova Baby, que provavelmente foi uma das inspirações para Jackson do Pandeiro em Chiclete com Banana.

Destaco no documentário a enorme e riquíssima gama de depoimentos, com gente como Carlinhos Brown, o grande Riachão, Caetano, Paulinho da Viola, Joyce, Leci Brandão, Hermano Vianna, Carlos Lyra, Paulo e Daniel Jobim e até mesmo artistas da nova geração, como DJ Dolores e Siba. Temos aqui um pouco das histórias do Beco das Garrafas e o uso da bossa nova como fator de identidade nacional, aliás, esta que foi uma grande preocupação do estado desde Getúlio, passando por JK até os tempos de ditadura militar, a partir de 1964. É neste ponto que esta parte do documentário se encerra. A parte 2 já tratará dos anos de chumbo aos olhos da Tropicália. 

Como não temos as partes seguintes na lista do Desafio, não mais tratarei dele, a não ser ao final, conforme as regras que estabeleci no espisódio #00, mas você pode assistir às três, em sequência, aqui embaixo:






Por hoje é só. Vejo vocês na sexta da semana que vem, com o segundo documentário a ser analisado. Estamos aprendendo juntos. Não se esqueça de comentar aqui embaixo e compartilhar por aí.

Saiba mais sobre o Desafio, CLICANDO AQUI e lendo o episódio #00.




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Bom, devo dizer que é bem curioso ver um filme estrangeiro tratando da nossa música. A qualidade das produções da BBC é indiscutível, e considero que este foi, de uma maneira geral, uma boa forma de mostrar ao mundo quem realmente nós somos, ao contrário do que nossa querida Globo sempre se esforçou em fazer.

O documentário aborda os primórdios da música popular brasileira, obviamente começando do samba soteropolitano. Aqui temos um pouco de história do Brasil, na época da colônia e Império, quando os negros, ainda escravos, já adaptavam o semba africano ao novo contexto, na América. Música marginalizada, que migrou, junto à Coroa portuguesa, para o Rio de Janeiro, nova capital.

No Rio temos a mudança de música periférica à grande identidade musical brasileira, promovida por Getúlio, na década de 30. É quando surgem os sambas-enredo no carnaval, autorizados apenas a exaltar o Brasil, criar o sentimento patriota. Isso foi de grande importância, sobretudo num período onde nos metemos em guerra e o populismo do estado precisava de engajamento do povo.

Foi quando o samba passou à classe média. O surgimento do samba-canção, com Dorival Caymmi cantando o mar foi peça-chave para o posterior uso do samba como instrumento da Política da Boa-Vizinhança, onde exportamos a caricata portuguesa Carmen Miranda para cristalizar uma imagem que até hoje ainda vem á mente dos estrangeiros, e que não agradou muito por aqui. Houveram trocas de visitas artísticas, incentivadas pelos governos dos EUA e Brasil, inclusive com a vinda do Pato Donald à Bahia, em filme e a estreia do personagem Zé Carioca.

Interessante perceber que ninguém está livre de estereótipos. Os estrangeiros têm vários sobre nós, que foram criados principalmente nesse período, mas mesmo no Brasil temos vários, como se pode ver com os depoimentos de Joyce e Elza Soares, sugerindo que todo brasileiro tem amor a alguma escola de samba, assim como a algum time de futebol. Mal sabem elas que o Brasil não é apenas o Rio de Janeiro, e que a disputa de escolas de samba não possui valor ou sentido algum aqui no nordeste, e que a transmissão do carnaval do Rio madrugada adentro na TV é o êxtase da chatice para muitos, incluindo a mim mesmo. Aliás, nem vou me dar o trabalho de falar sobre a inutilidade do futebol em minha vida. Será que algum dia já fui brasileiro mesmo?

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