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/ / / Entrevista: Prestes a vir ao Brasil, John Mayall fala sobre atual fase

A lenda viva do blues britânico estará por aqui no próximos dias
Katy Freitas
Redação TDM

No início da década de 1960, a Inglaterra revelava um dos mais importantes nomes da história do blues: John Mayall, responsável por resgatar o estilo norte-americano liderado por músicos negros e levar este tesouro ao Reino Unido. É no mínimo justo que Mayall seja o “padrinho do blues”. 

Em 1963, o músico formou a banda Bluesbreaker com Alex Korner, que rapidamente ficou conhecida por tocar no clube Marquee, em Londres. No ano seguinte a banda se apresentou com John Lee Hooker durante sua turnê britânica. Após a chegada do jovem Eric Clapton, em 1965, a banda ganhou cada vez mais destaque.

Até hoje, John Mayall lança memoráveis discos de blues e essa verdadeira lenda viva da música concedeu uma entrevista ao Território da Música e falou sobre suas experiências, sua relação com a atual banda e o momento que o blues vive, além de revelar sua expectativa para o festival Best Of Blues, que acontece de 10 a 13 de junho, em São Paulo.



Confira o papo exclusivo com a lenda, em seu melhor jeito inglês de ser, abaixo:

É um prazer falar com o senhor.

John Mayall: Que bom, estamos ansiosos para tocar aí no Brasil.

Sr. Mayall, eu gostaria de nos levar de volta ao seu início na música. Imagino que não deve ter sido exatamente fácil fazer música naquele tempo, especialmente blues na Inglaterra. Você poderia falar um pouco sobre essa época?

JM: Bom, quando comecei mesmo, com Alexis Korner e Cyril Davies, foi muito fácil porque era algo novo para as plateias e todo mundo começou a surgir ao mesmo tempo, lá para 1962 e 1963. Antes disso não havia muita atividade.

Nossos leitores e eu gostaríamos de saber como você conheceu o Eric Clapton.

JM: Eu o ouvi tocando no Yardbirds e fiquei muito impressionado com a forma que ele tocava. Então foi muito bom quando ele saiu do Yardbirds e eu tive a oportunidade de contratá-lo e deu tudo certo depois disso.

Você sentiu uma ligação com ele ao tocarem juntos nas primeiras vezes?

JM: Ah, com certeza! O fato de ele ter ficado disponível foi muito bom para nós dois, pois queríamos tocar blues.

Pergunto isso, pois considero o “John Mayall's Bluesbreakers with Eric Clapton” um dos melhores álbuns de todos os tempos.

JM: É adorável ouvir isso!

De toda sua longa e produtiva carreira, tendo ao seu lado músicos como Jack Bruce, Mick Taylor, Peter Green, Mick Fleetwood, entre muitos outros, qual é sua época favorita? 

JM: Bem, é como as coisas estão indo agora, na verdade. A banda com a qual estou nos últimos cinco anos tem sido a mais fácil para trabalhar, a mais empolgada e a mais estável de todas as bandas. Então estou muito contente com a forma que tudo está acontecendo e você poderá ouvir isso quando estivermos aí.




Há 10 anos você ganhou uma grande festa para celebrar seu 70º aniversário (“John Mayall & The Bluesbreakers and Friends - 70th Birthday Concert”). Esse ano você completa 80 anos. Podemos esperar um show maior ainda?

JM: Eu acho que não. Ninguém falou sobre nada em relação a isso. Na verdade ninguém teve essa ideia, então provavelmente vamos pular esse ano.

Definitivamente seria algo genial 

JM: Sim, vamos ver, né? 

Sr. Mayall, como você vê o blues hoje? Consegue destacar artistas novos que representem o estilo?

JM: Bem, eu não posso dizer que ouvi todo mundo. Mas tenho visto que tem um pessoal bem jovem tocando blues agora e isso pode ser animador para futuro.

Com tanta coisa de qualidade questionável na mídia hoje, você acredita que ainda teremos uma reviravolta?

JM: Ninguém pode prever o futuro, mas é esperado que as pessoas reajam ao blues e o mantenha vivo. É muito bom ver que tem tantos festivais de blues pelo mundo e isso é muito bonito.

Tivemos um show do Paul McCartney aqui recentemente, e vi muitos jovens e crianças cantando músicas que foram lançadas quando nem eram ainda nascidos.

JM: Sim, exatamente!

Você vê isso constantemente nos seus shows?

JM: Sim, especialmente nos festivais que são abertos para todas as idades. Vemos famílias inteiras frequentando e podemos ver que eles curtem muito.

É uma esperança para o futuro, não?

JM: Com certeza! Está garantido.

O Brasil terá o prazer de te receber mais uma vez, no festival Best Of Blues, agora em junho. Você se lembra da última vez que veio ao País?

JM: Olha, depois de um tempo tudo fica meio embaçado na mente, sem precisar olhar em arquivos e datas, porque fazemos muitos shows todos os anos. Mas em todos os lugares onde tocamos fomos bem recebidos, então isso é algo que me lembro.

Pode nos adiantar um pouco do que está preparando para os shows aqui?

JM: É uma boa pergunta, pois o público gosta de ouvir coisas dos primórdios, mas também gosta de ouvir música nova, então tentamos criar um repertório que inclua todas as épocas. É sempre bom revisitar algumas antigas e definitivamente tocaremos umas mais recentes.

Vai ser ótimo. Você tocará no mesmo dia que Buddy Guy e Taj Mahal...

JM: Somos bons amigos!

Como é sua relação com todos esses astros do blues?

JM: Estamos na mesma estrada por tantos anos, por isso, obviamente, nos tornamos muito amigos. É sempre muito bom estar em festivais que juntam todos e nos dão a oportunidade de sairmos e dividirmos histórias.

Seu ótimo e mais recente disco “Tough” saiu em 2009 e nele você, obviamente, canta, toca guitarra, gaita, piano. O que você mais gosta de fazer na música?

JM: Me sinto confortável com tudo. Depende do que a música te sugere que vá lhe servir. Então todos os instrumentos precisam servir um papel. 

O que te inspira ao compor?

JM: Não sei. Quando tenho a chance de gravar, acabo tendo ideias com as coisas que estão acontecendo, escolhendo temas, escrevendo as músicas ou gravo músicas de outras pessoas. 

Está trabalhando em um novo material?

JM: Não, no momento não. Estamos esperando para ver o que a Eagle (gravadora) tem planejado para nós, mas não sabemos ainda. Esperamos lançar algo ainda esse ano.

Você gostaria de deixar alguma mensagem aos nossos leitores?

JM: Sim, vou ficar muito feliz em ver o público brasileiro e estou na expectativa de ter bons momentos aí. Estou ansioso.


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Entrevista: Prestes a vir ao Brasil, John Mayall fala sobre atual fase

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No início da década de 1960, a Inglaterra revelava um dos mais importantes nomes da história do blues: John Mayall, responsável por resgatar o estilo norte-americano liderado por músicos negros e levar este tesouro ao Reino Unido. É no mínimo justo que Mayall seja o “padrinho do blues”. 

Em 1963, o músico formou a banda Bluesbreaker com Alex Korner, que rapidamente ficou conhecida por tocar no clube Marquee, em Londres. No ano seguinte a banda se apresentou com John Lee Hooker durante sua turnê britânica. Após a chegada do jovem Eric Clapton, em 1965, a banda ganhou cada vez mais destaque.

Até hoje, John Mayall lança memoráveis discos de blues e essa verdadeira lenda viva da música concedeu uma entrevista ao Território da Música e falou sobre suas experiências, sua relação com a atual banda e o momento que o blues vive, além de revelar sua expectativa para o festival Best Of Blues, que acontece de 10 a 13 de junho, em São Paulo.



Confira o papo exclusivo com a lenda, em seu melhor jeito inglês de ser, abaixo:

É um prazer falar com o senhor.

John Mayall: Que bom, estamos ansiosos para tocar aí no Brasil.

Sr. Mayall, eu gostaria de nos levar de volta ao seu início na música. Imagino que não deve ter sido exatamente fácil fazer música naquele tempo, especialmente blues na Inglaterra. Você poderia falar um pouco sobre essa época?

JM: Bom, quando comecei mesmo, com Alexis Korner e Cyril Davies, foi muito fácil porque era algo novo para as plateias e todo mundo começou a surgir ao mesmo tempo, lá para 1962 e 1963. Antes disso não havia muita atividade.

Nossos leitores e eu gostaríamos de saber como você conheceu o Eric Clapton.

JM: Eu o ouvi tocando no Yardbirds e fiquei muito impressionado com a forma que ele tocava. Então foi muito bom quando ele saiu do Yardbirds e eu tive a oportunidade de contratá-lo e deu tudo certo depois disso.

Você sentiu uma ligação com ele ao tocarem juntos nas primeiras vezes?

JM: Ah, com certeza! O fato de ele ter ficado disponível foi muito bom para nós dois, pois queríamos tocar blues.

Pergunto isso, pois considero o “John Mayall's Bluesbreakers with Eric Clapton” um dos melhores álbuns de todos os tempos.

JM: É adorável ouvir isso!

De toda sua longa e produtiva carreira, tendo ao seu lado músicos como Jack Bruce, Mick Taylor, Peter Green, Mick Fleetwood, entre muitos outros, qual é sua época favorita? 

JM: Bem, é como as coisas estão indo agora, na verdade. A banda com a qual estou nos últimos cinco anos tem sido a mais fácil para trabalhar, a mais empolgada e a mais estável de todas as bandas. Então estou muito contente com a forma que tudo está acontecendo e você poderá ouvir isso quando estivermos aí.




Há 10 anos você ganhou uma grande festa para celebrar seu 70º aniversário (“John Mayall & The Bluesbreakers and Friends - 70th Birthday Concert”). Esse ano você completa 80 anos. Podemos esperar um show maior ainda?

JM: Eu acho que não. Ninguém falou sobre nada em relação a isso. Na verdade ninguém teve essa ideia, então provavelmente vamos pular esse ano.

Definitivamente seria algo genial 

JM: Sim, vamos ver, né? 

Sr. Mayall, como você vê o blues hoje? Consegue destacar artistas novos que representem o estilo?

JM: Bem, eu não posso dizer que ouvi todo mundo. Mas tenho visto que tem um pessoal bem jovem tocando blues agora e isso pode ser animador para futuro.

Com tanta coisa de qualidade questionável na mídia hoje, você acredita que ainda teremos uma reviravolta?

JM: Ninguém pode prever o futuro, mas é esperado que as pessoas reajam ao blues e o mantenha vivo. É muito bom ver que tem tantos festivais de blues pelo mundo e isso é muito bonito.

Tivemos um show do Paul McCartney aqui recentemente, e vi muitos jovens e crianças cantando músicas que foram lançadas quando nem eram ainda nascidos.

JM: Sim, exatamente!

Você vê isso constantemente nos seus shows?

JM: Sim, especialmente nos festivais que são abertos para todas as idades. Vemos famílias inteiras frequentando e podemos ver que eles curtem muito.

É uma esperança para o futuro, não?

JM: Com certeza! Está garantido.

O Brasil terá o prazer de te receber mais uma vez, no festival Best Of Blues, agora em junho. Você se lembra da última vez que veio ao País?

JM: Olha, depois de um tempo tudo fica meio embaçado na mente, sem precisar olhar em arquivos e datas, porque fazemos muitos shows todos os anos. Mas em todos os lugares onde tocamos fomos bem recebidos, então isso é algo que me lembro.

Pode nos adiantar um pouco do que está preparando para os shows aqui?

JM: É uma boa pergunta, pois o público gosta de ouvir coisas dos primórdios, mas também gosta de ouvir música nova, então tentamos criar um repertório que inclua todas as épocas. É sempre bom revisitar algumas antigas e definitivamente tocaremos umas mais recentes.

Vai ser ótimo. Você tocará no mesmo dia que Buddy Guy e Taj Mahal...

JM: Somos bons amigos!

Como é sua relação com todos esses astros do blues?

JM: Estamos na mesma estrada por tantos anos, por isso, obviamente, nos tornamos muito amigos. É sempre muito bom estar em festivais que juntam todos e nos dão a oportunidade de sairmos e dividirmos histórias.

Seu ótimo e mais recente disco “Tough” saiu em 2009 e nele você, obviamente, canta, toca guitarra, gaita, piano. O que você mais gosta de fazer na música?

JM: Me sinto confortável com tudo. Depende do que a música te sugere que vá lhe servir. Então todos os instrumentos precisam servir um papel. 

O que te inspira ao compor?

JM: Não sei. Quando tenho a chance de gravar, acabo tendo ideias com as coisas que estão acontecendo, escolhendo temas, escrevendo as músicas ou gravo músicas de outras pessoas. 

Está trabalhando em um novo material?

JM: Não, no momento não. Estamos esperando para ver o que a Eagle (gravadora) tem planejado para nós, mas não sabemos ainda. Esperamos lançar algo ainda esse ano.

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