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/ / A alma do blues nacional trabalha cada vez melhor nos bastidores


Marcelo Moreira
A alma do blues nacional não toca guitarra, nem canta, muito menos toca gaita ou baixo. O cabeludo quase cinquentão que frequenta festivais do gênero no Brasil bem que poderia passar por mais um tiozão hippie na plateia, não fosse a banquinha de CDs que vende nos shows. É ali, em suas três mesas lotadas de música da melhor qualidade, ou na sua casa boa, mas simples, de um bairro de classe média de São Bernardo do Campo (ABC, na Grande São Paulo), que Chico Blues faz funcionar a sua fantástica usina blueseira.
A paixão de adolescência e juventude virou um negócio conduzido com muito comprometimento e dificuldade – e todos os bluesmen a fãs brasileiros agradecem. Depois que a gravadora Eldorado submergiu nas trevas, sobrou o grande Chico para continuar o legado do gênero no Brasil, quase que solitariamente, carregando nas costas o selo/gravadora que leva o seu apelido internacionalmente conhecido. Não é demais dizer que a verdadeira casa do blues no Brasil fica naquele imóvel térreo da rua Jair Fongaro, em Rudge Ramos.
A fama e a importância do homem é tão grande que ele recentemente esteve na festa de aniversário do mito Rod Piazza, um dos grandes gaitistas do nosso tempo, em Los Angeles, convidado ao lado dos pupilos Igor Prado, um dos grandes guitarristas brasileiros, e por Rodrigo Mantovani, seguramente entre os três grandes baixistas do blues do Brasil. Chico recebeu um convite nominal do grande mestre.
A história singular deste apaixonado por música começa no sertão da Paraíba, onde nasceu e trabalhou parte da infância na colheita de algodão. De acordo com o site de sua gravadora, só teve seu registro de nascimento lavrado somente aos 16 anos de idade. Chegou a São Paulo no início dos anos 70, e ficou encantado com o rock´n roll que rolava na Pompeia, bairro de classe média da zona oeste da capital, lar do Made in Brazil e dos Mutantes.
Com a ajuda dos amigos, logo mergulhou nas imensas possibilidades discográficas a sua disposição e sua paixão se tornou a música, não só o rock, mas em especial o blues que virou seu pseudônimo e sua especialidade. No começo, um hobby, aos poucos Chico Blues foi colecionando o maior acervo fonográfico e áudio-visual sobre blues existente no Brasil.
A obsessão do paraibano pelo blues foi tanta que virou referência em São Paulo muito antes de pensar em se tonar o anjo da guarda dos blueseiros nacionais nos difíceis tempos de gravadoras falidas e de predomínio das porcarias sonoras nas paradas de sucesso. Virou expert, realizando workshops pelo Brasil mostrando em vídeos a história do blues, desde o inicio dos anos 20, a vertente eletrificada de Chicago, nos anos 50, a entrado dos brancos no blues até os dias de hoje, dando detalhes da vida e obra dos maiores nomes da história – B.B.King, Muddy Waters, Willie Dixon, Sonny Boy Williamson, James Cotton, Little Walter Júnior Wells & Buddy Guy, James Cotton, Little Walter…
E eis que Chico Blues resolve dar o passo mais arriscado de sua carreira de expert em 2005, ao ir na contramão do mercado musical. Solitário, decide criar o seu Chico Blues Records, inicialmente selo musical, depois gravadora, para amparar os músicos de blues do Brasil de altíssima qualidade, mas que perderam o pouco de possibilidades de apoio e divulgação com o colapso da indústria musical. E assim virou empresário e teve de se sentar atrás da mesa de gravação para palpitar nos projetos que abraça – no conteúdo, na forma de gravar, na mixagem e mesmo nas capas, tudo com orçamento mínimo, mas com dedicação extrema.
Chico Blues (esq.) ao lado de um dos muitos amigos, Muddy Waters Junior (ARQUIVO PESSOAL)
O resultado é que Chico Blues se tornou personalidade VIP no setor no Brasil, tratado com toda a reverência por gente como o gaitista Flávio Guimarães, do Blues Etílicos, de quem é produtor executivo. Também edita e produz os álbuns de Igor Prado, Big Chico, Greg Wilson (guitarrista do Blues Etílicos), das bandas Headcutters e Brazilian Blues Bash, Sergio Duarte, Ari Borger, Donny Nichilo e muitos outros. “O Chico é muito criterioso na escolha dos artistas com quem trabalha e muito detalhista nas sessões de gravação. Ajuda bastante o artista, dando suporte em todos os sentidos'', elogia o gaitista Little Will, que deve lançar ainda no primeiro trimestre o primeiro álbum do Harmônicos Duo, ao lado do parceiro Márcio Scialis, com o carimbo de Chico Blues.
Louvemos os pioneiros André Christóvam, Nuno Mindelis e Celso Blues Boy, assim como o Blues Etílicos. UM começo duro, mas estabeleceram as bases para o gênero prosperar. Entretanto, louvemos ainda mais a alma blueseira de Chico Blues, que manteve a chama acesa mais uma geração de músicos de alta qualidade que insistem em beber da fonte do Mississippi e espalhar o som do delta pelo Brasil.


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Marcelo Moreira
A alma do blues nacional não toca guitarra, nem canta, muito menos toca gaita ou baixo. O cabeludo quase cinquentão que frequenta festivais do gênero no Brasil bem que poderia passar por mais um tiozão hippie na plateia, não fosse a banquinha de CDs que vende nos shows. É ali, em suas três mesas lotadas de música da melhor qualidade, ou na sua casa boa, mas simples, de um bairro de classe média de São Bernardo do Campo (ABC, na Grande São Paulo), que Chico Blues faz funcionar a sua fantástica usina blueseira.
A paixão de adolescência e juventude virou um negócio conduzido com muito comprometimento e dificuldade – e todos os bluesmen a fãs brasileiros agradecem. Depois que a gravadora Eldorado submergiu nas trevas, sobrou o grande Chico para continuar o legado do gênero no Brasil, quase que solitariamente, carregando nas costas o selo/gravadora que leva o seu apelido internacionalmente conhecido. Não é demais dizer que a verdadeira casa do blues no Brasil fica naquele imóvel térreo da rua Jair Fongaro, em Rudge Ramos.
A fama e a importância do homem é tão grande que ele recentemente esteve na festa de aniversário do mito Rod Piazza, um dos grandes gaitistas do nosso tempo, em Los Angeles, convidado ao lado dos pupilos Igor Prado, um dos grandes guitarristas brasileiros, e por Rodrigo Mantovani, seguramente entre os três grandes baixistas do blues do Brasil. Chico recebeu um convite nominal do grande mestre.
A história singular deste apaixonado por música começa no sertão da Paraíba, onde nasceu e trabalhou parte da infância na colheita de algodão. De acordo com o site de sua gravadora, só teve seu registro de nascimento lavrado somente aos 16 anos de idade. Chegou a São Paulo no início dos anos 70, e ficou encantado com o rock´n roll que rolava na Pompeia, bairro de classe média da zona oeste da capital, lar do Made in Brazil e dos Mutantes.
Com a ajuda dos amigos, logo mergulhou nas imensas possibilidades discográficas a sua disposição e sua paixão se tornou a música, não só o rock, mas em especial o blues que virou seu pseudônimo e sua especialidade. No começo, um hobby, aos poucos Chico Blues foi colecionando o maior acervo fonográfico e áudio-visual sobre blues existente no Brasil.
A obsessão do paraibano pelo blues foi tanta que virou referência em São Paulo muito antes de pensar em se tonar o anjo da guarda dos blueseiros nacionais nos difíceis tempos de gravadoras falidas e de predomínio das porcarias sonoras nas paradas de sucesso. Virou expert, realizando workshops pelo Brasil mostrando em vídeos a história do blues, desde o inicio dos anos 20, a vertente eletrificada de Chicago, nos anos 50, a entrado dos brancos no blues até os dias de hoje, dando detalhes da vida e obra dos maiores nomes da história – B.B.King, Muddy Waters, Willie Dixon, Sonny Boy Williamson, James Cotton, Little Walter Júnior Wells & Buddy Guy, James Cotton, Little Walter…
E eis que Chico Blues resolve dar o passo mais arriscado de sua carreira de expert em 2005, ao ir na contramão do mercado musical. Solitário, decide criar o seu Chico Blues Records, inicialmente selo musical, depois gravadora, para amparar os músicos de blues do Brasil de altíssima qualidade, mas que perderam o pouco de possibilidades de apoio e divulgação com o colapso da indústria musical. E assim virou empresário e teve de se sentar atrás da mesa de gravação para palpitar nos projetos que abraça – no conteúdo, na forma de gravar, na mixagem e mesmo nas capas, tudo com orçamento mínimo, mas com dedicação extrema.
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Louvemos os pioneiros André Christóvam, Nuno Mindelis e Celso Blues Boy, assim como o Blues Etílicos. UM começo duro, mas estabeleceram as bases para o gênero prosperar. Entretanto, louvemos ainda mais a alma blueseira de Chico Blues, que manteve a chama acesa mais uma geração de músicos de alta qualidade que insistem em beber da fonte do Mississippi e espalhar o som do delta pelo Brasil.

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